terça-feira, 8 de novembro de 2011

Lista de Exercícios de Química: Ligações químicas

COLÉGIO ESTADUAL THALES DE AZEVEDO

ALUNO(A): __________________________________________________

PROFª CLEO                                             SÉRIE: 1º   TURMA: _______________




EXERCÍCIO LIGAÇÕES QUÍMICAS





1.      Diferencie as ligação iônica da covalente quanto aos elementos envolvidos e a participação de elétrons

2.      Qual o composto formado e o tipo de ligação que ocorre entre:

a)      K e S

b)      Mg e F

c)      N e H

d)      C e H

e)      K  e P

f)       C e O

g)      Al e O



3.       Qual a fórmula do composto formado entre os elementos 13A  e 8B

4.       Quais os tipos de ligações químicas predominantes entre os átomos dos compostos H2S, PH3 e AgBr?

5.       Os elementos P e Br podem combinar-se formando a que tipo de composto e ligação?

6.       Quais as características dos compostos iônicos?

7.       Quais as características dos compostos covalentes/

8.       Quais as características dos compostos metálicos?

9.       Diferencie ligação metálica de ligas metálicas

10.    Complete a tabela abaixo:





Liga
Composição química
Utilidade
Amalgama


Bronze


Latão


Ouro 18 k


Aço


Aço inoxidável





11.   Quais devem ser as famílias dos elementos X e Y que formam o composto iônico:

a)      X2Y

b)      X3Y

c)       XY2



12.   Quais dos compostos abaixo é constituído de duas ligações duplas/

a)      SiO2

b)      H2S

c)       PH3

d)      HCl

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Apostila DHDC 4º unidade

COLÉGIO ESTADUAL THALES DE AZEVEDO

PROFESSORES: TEREZA CRISTINA / IVES/ACM

DISCIPLINA: DIREITOS HUMANOS E DIVERSIDADE CULTURAL     SÉRIE: 1ª



DIVERSIDADE CULTURAL – IV UNIDADE-2011

            Nossa história está marcada ela violência dos poderosos contra os mais fracos. Ela se inicia com o massacre de índios, que até o descobrimento não sabiam o que era fome e desigualdade social. Até hoje, não se conhece entre os índios a figura do menor abandonado. No entanto, eles eram vistos pelos colonizadores como seres inferiores.

            Para o colonizador português, os índios eram preguiçosos. Em razão disso, o  Brasil entrou na rota da escravidão negra. O escravo não era, juridicamente, considerado ser humano, apenas um instrumentum vocalis, que em latim significa “ instrumento que fala”.

            Escravo era coisa, não gente. O Brasil foi a última nação independente a acabar com a escravidão. Esse fato deixou marcas profundas na cultura nacional, na forma como as pessoas encaram o mundo. É um dos elementos para se entender como ainda hoje são cometidos tantos assassinatos no campo, em sua maioria impunes.

            A nobreza portuguesa que aqui se achava estimulou a vinda dos europeus para, entre outros motivos, embranquecer o sangue do povo brasileiro.

            Historicamente a questão do menino de rua aparece como consequência direta da escravidão. Em 1906, o chefe de polícia do Distrito Federal (Rio de Janeiro) já se mostrava incomodado:

            “Existem nesta capital, disseminados por todos os pontos, numerosos menores de sexo masculino que, sem amparo e proteção, sem recursos, portanto, que lhes proporcionem subsistência, entregam-se à prática de delitos e vícios.”

            Esses meninos eram filhos de escravos. Por falta de instrução e qualificação, eles tinham dificuldades para encontrar espaço no mercado de trabalho. O ensino básico era ainda mais limitado do que atualmente.

            Era tamanha a dificuldade que, e 20 de junho de 1888, pouco mais de um mês após a promulgação da Lei Áurea, que libertou os escravos, o Parlamento assinava o decreto de Repressão à Ociosidade. Esse decreto visava atacar os “vadios” de rua.

            A saída apresentada para a infância carente era o isolamento. Junto com o decreto, foram criados os “asilos correcionais” para crianças e adolescentes. O número de indivíduos aprisionados, em sua imensa maioria negros, mostra que crianças e adolescentes foram levados à delinquência. No Rio houve época em que se prenderam mais crianças do que adultos.

            Uma das heranças da escravidão é o preconceito contra os negros, cuja imagem, entre policiais e parte da população, é ligada à delinqüência.

PRECONCEITO, RACISMO E DISCRIMINAÇÃO SOCIAL

É possível dizer que o racismo é tão antigo como a própria humanidade. Ou melhor, que a descoberta da diferença entre os homens faz parte de qualquer percepção social, e que não existe sociedade ou agrupamento que não reflita ou emita juízos acerca das variações presentes entre os grupos.

Desde seus primeiros momentos, quando nem poderia ser considerado um país, mas antes a América portuguesa, a imagem do Brasil foi delineada a partir dos traços de seus nativos e de sua natureza. Se, por um lado, a natureza surgia prodigiosa, por outro, as populações, aos olhos dos observadores europeus, eram vistas com temor. Uma série de viajantes aportou no país durante os séculos 16, 17, 18 e inícios do 19, deixando relatos variados sobre este estranho e longínquo Brasil. É certo que, até a chegada da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, a entrada de estrangeiros esteve basicamente impedida ou limitada. No entanto, a proibição não evitou a vinda de religiosos, soldados, comandantes, corsários ou meros curiosos que escreveram sobre essa terra. Além do mais, uma certa visão fantasiosa alimentava as narrativas extravagantes de uma série de viajantes, em tudo imaginárias. Em meio a essas regiões maravilhosas poderia estar o Paraíso Terrestre, com sua primavera eterna, seus campos férteis, fontes de juventude; mas também uma terra inóspita habitada por monstros disformes.



Raça e diferenças sociais

Saudada pelos cientistas estrangeiros como fenômeno recente, a miscigenação transformava-se em tema polêmico entre as elites locais. De um lado, o “problema racial” é a linguagem pela qual se torna possível apreender as particularidades observadas. Por certo, a constatação de que essa era uma nação mestiça gerava novos dilemas para os cientistas brasileiros. Falar na raça parecia oportuno, já que o termo permitia certa naturalização de diferenças sociais -  ou seja, os negros surgiam como “cientificamente” incapazes ou limitados intelectualmente; constatação que explicaria sua situação social e evitaria reflexões sobre as formas de desigualdade que a sociedade criara, como a escravidão. Mas o mesmo tema gerava paradoxos: implicava admitir a existência de futuro para uma nação de raças mistas, como a nossa. Evidenciava-se, pois, a defasagem entre nossas teorias, que chegavam de fora quando pensadas em função da realidade mestiça de dentro. A saída foi então adaptar modelos: adotar parte do ideário científico, porém sem sua conseqüência teórica – aceitar a idéia da diferença entre as raças sem condenar a hibridação - , na medida em que o país, pensado nesses termos, era inviável.

O Estado brasileiro foi constituído a partir de diferentes matrizes étnicas e culturais, formando, assim, uma sociedade multicultural. As desigualdades sociais, construídas historicamente com base na exploração econômica, violência e escravidão gerou um modo de pensar e agir desiguais.

Várias são as incompreensões existentes entre os termos Preconceito, Racismo e Discriminação.

O documento Brasil, Gênero e Raça, lançado pelo Ministério do Trabalho, define:

Racismo – "a ideologia que postula a existência de hierarquia entre grupos humanos";

Preconceito - uma indisposição, um julgamento prévio negativo que se faz de pessoas estigmatizadas por estereótipos";

Estereótipo - "atributos dirigidos a pessoas e grupos, formando um julgamento a priori, um carimbo. Uma vez ‘carimbados’ os membros de determinado grupo como possuidores deste ou daquele ‘atributo’, as pessoas deixaram de avaliar os membros desses grupos pelas suas reais qualidades e passam a julgá-las pelo carimbo";

Discriminação – "é o nome que se dá para a conduta (ação ou omissão) que viola direitos das pessoas com base em critérios injustificados e injustos, tais como: a raça, o sexo, a idade, a opção religiosa e outros".



Racismo é crime inafiançável e imprescritível.(Art. 5.º, XLII, CF).



Segundo a Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. A Carta diz, também, que constituem princípios fundamentais da Republica Federativa do Brasil o de promover o bem comum, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade ou quaisquer outras formas de discriminação.

Dentre os crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor, punidos pela lei (Leis N.º 7.716/89 e 9.459/97), estão os seguintes:

1 – Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Administração Pública, bem como negar ou impedir emprego em empresa privada.

2 – Recusar, negar ou impedir a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino público de qualquer grau;

3 – Impedir o acesso ou recusar o atendimento nos seguintes locais: a) restaurantes, bares e confeitarias; b) estabelecimentos esportivos, casas de diversões e clubes sociais abertos ao público; c) hotéis, pensões e estalagens;

4 – Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e respectivos elevadores ou escadas de acesso.

O significado da tolerância

·         A tolerância é o respeito, a aceitação e o apreço da riqueza e da diversidade das culturas de nosso mundo, de nosso mundo, de nossos modos de expressão e de nossas maneiras de exprimir a qualidade de seres humanos. É fomentada pelo conhecimento, a abertura de espírito, a comunicação  a liberdade de pensamento, de consciência e de crença. A tolerância é a harmonia na diferença. Não é só um dever de ordem ética, é igualmente uma necessidade política e jurídica. A tolerância é uma virtude que torna a paz possível e contribui para substituir uma cultura de guerra por uma cultura de paz.

·         A tolerância não é uma concessão, condescendência, indulgência. A tolerância é, antes de tudo, uma atitude ativa fundada no reconhecimento dos direitos universais da pessoa humana e das liberdades fundamentais do outro. Em nenhum caso a tolerância poderia ser invocada para justificar lesões a esses valores fundamentais. A tolerância deve ser praticada pelos indivíduos, pelos grupos e pelo Estado.

·         A tolerância é o sustentáculo dos direitos humanos, do pluralismo (inclusive o pluralismo cultural), da democracia e do Estado de Direito. Implica a rejeição do dogmatismo e do absolutismo e fortalece as normas enunciadas nos instrumentos internacionais relativos aos direitos humanos.

·         Em consonância ao respeito dos direitos humanos, praticar a tolerância não significa tolerar a injustiça social, nem renunciar às próprias convicções, nem fazer concessões a respeito. A prática da tolerância significa que toda pessoa tem livre escolha de suas convicções e aceita que o outro desfrute da mesma liberdade. Significa aceitar o fato de que os seres humanos, que se caracterizam naturalmente pela diversidade de seu aspecto físico, de sua situação, de seu modo de expressar-se, de seus comportamentos e de seus valores, têm o direito de viver em paz e de serem tais como são. Significa também que ninguém deve impor suas opiniões a outrem. (...)

·         A educação para a tolerância deve visar a contrariar as influências que levam o medo e à exclusão do outro e deve ajudar os jovens a desenvolver sua capacidade de exercer u juízo autônomo, de realizar uma reflexão crítica e de raciocinar em termos éticos. (...)

Declaração de princípios sobre a tolerância.

Aprovada pela Conferência Geral da Unesco. Paris,16/11/95







Desigualdade social

Por Gabriela Cabral

A desigualdade social acontece quando a distribuição de renda é feita de forma diferente sendo que a maior parte fica nas mãos de poucos. No Brasil a desigualdade social é uma das maiores do mundo. Por esses acontecimentos existem jovens vulneráveis hoje principalmente na classe de baixa renda, pois a exclusão social os torna cada vez mais supérfluos e incapazes de ter uma vida digna. Muitos jovens de baixa renda crescem sem ter estrutura na família devido a uma série de conseqüências causadas pela falta de dinheiro sendo: briga entre pais, discussões diárias, falta de estudo, ambiente familiar precário, educação precária, más instalações, alimentação ruim, entre outros.

A desigualdade social tem causado o crescimento de crianças e jovens sem preparação para a vida e muitos deles não conseguem oportunidades e acabam se tornando marginais ou desocupados, às vezes não porque querem, mas sim por não sobrarem alternativas. Outro fator que agrava essa situação é a violência que cresce a cada dia.

Podemos perceber que o ódio que faz com que uma pessoa se torne violenta sempre tem razões anteriores. Na maioria das vezes que vemos depoimentos de pessoas envolvidas com violência, as mesmas tiveram na infância situações onde o pai era ausente ou se presente espancava a mãe, a miséria fazia com que os pais vendessem drogas por um prato de comida, pais entregavam filhos para adoção ou até mesmo abandonavam os filhos ao invés de tentar reverter à situação. Alguns casos, as pessoas hoje violentas foram vítimas de abuso sexual quando mais jovens e essa série de situações trazem uma ira e desejo de vingança não só dos  mal-feitores, mas também das autoridades que sabem de todos esses possíveis acontecimentos e não tomam posição.

Hoje traficantes têm tomado o poder de algumas grandes cidades brasileiras e prejudicado cidadãos de bem com o intuito de atingir as autoridades. A cada dia que passa pessoas são mortas, espancadas e abusadas para que alguém excluído do mundo mostre que alguma coisa ele sabe fazer, mesmo que isso seja ruim.

O fato é que, as autoridades são as principais causadoras desse processo de desigualdade que causa exclusão e que gera violência. É preciso que pessoas de alto escalão projetem uma vida mais digna e com oportunidades de conhecimento para pessoas com baixa renda para que possam trabalhar e ter o sustento do lar entre outros.

História dos Índios

Em 1500, quando os portugueses chegaram ao Brasil, estima-se que havia por aqui cerca de 6 milhões de índios.

Passados os tempos de matança, escravismo e catequização forçada. Nos anos 50, segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, a população indígena brasileira estava entre 68.000 e 100.000 habitantes. Atualmente há cerca de 280.000 índios no Brasil. Contando os que vivem em centros urbanos, ultrapassam os 300.000. No total, quase 12% do território nacional, pertence aos índios.

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, havia em torno de 1.300 línguas indígenas. Atualmente existem apenas 170. O pior é que cerca de 35% dos 210 povos com culturas diferentes têm menos de 200 pessoas.

Será o fim dos índios?

Apesar do "Dia do Índio", que é comemorado no dia 19 de Abril, não tem nada para se comemorar. Algumas tribos indígenas foram quase executadas por inteiro na década de 70 em diante, enquanto estavam fora de seu habitat, quase chegaram a extinção, foram ameaçados por epidemias, diarréia e estradas. Mas hoje, o que parecia impossível está acontecendo: o número de índios no Brasil e na Amazônia está aumentando cada vez mais. A taxa de crescimento da população indígena é de 3,5% ao ano, superando a média nacional, que é de 1,3%. Em melhores condições de vida, alguns índios recuperaram a sua auto-estima, reintroduziram os antigos rituais e aprenderam novas técnicas, como pescar com anzol. Muitos já voltaram para a mata fechada, com uma grande quantidade de crianças indígenas.

"O fenômeno é semelhante ao baby boom do pós-guerra, em que as populações, depois da matança geral, tendem a recuperar as perdas reproduzindo-se mais rapidamente", diz a antropóloga Marta Azevedo, responsável por uma pesquisa feita pelo Núcleo de Estudos em População da Universidade de Campinas.

Com terras garantidas e população crescente, pode parecer que a situação dos índios se encontra agora sob controle. Mas não! O maior desafio da atualidade é manter viva sua riqueza cultural.

Organização e sobrevivência do grupo

Os índios brasileiros sobrevivem utilizando os recursos naturais oferecidos pelo meio ambiente com a ajuda de processos rudimentares. Eles caçam, plantam, pescam, coletam e produzem os instrumentos necessários a estas atividades. A terra pertence a todos os membros do grupo e cada um tira dela seu próprio sustento.

Existe uma divisão de tarefa por idade e por sexo: em geral cabe a mulher o cuidado com a casa, das crianças e das roças; o homem é responsável pela defesa, pela caça (que pode ser individual ou coletiva), e pela colheita de alimentos na floresta.

Os mais velhos - homens e mulheres - adquirem grande respeito da parte de todos. A experiência conseguida pelos anos de vida transforma-os em símbolos de tradições da tribo.

O pajé é uma espécie de curandeiro e conselheiro espiritual.

Garimpeiros invadem as terras indígenas

Entre os povos ameaçados estão os Ianomâmis, que foram os últimos a ter contato com a civilização. Sua população atual chega a pouco mais de 8.000 pessoas. O encontro com garimpeiros, que invadem suas terras, trazem doenças, violência e alcoolismo. Entre os índios, os garimpeiros são conhecidos por outro nome: os "comedores de terras". Calcula-se que 300.000 garimpeiros entraram ilegalmente em terras indígenas na Amazônia. Mas o problema não é insolúvel. Na aldeia Nazaré, onde moram 78 Ianomâmis, foram expulsos pela Polícia Federal.

Permanece a questão de como ficará o índio num mundo globalizado, mas pelo menos já se sabe o que é preciso preservar.

O chefe da tribo

Os índios vivem em aldeias e, muitas vezes, são comandados por chefes, que são chamados de cacique, tuxánas ou morubixabas. A transmissão da chefia pode ser hereditária (de pai para filho) ou não. Os chefes devem conduzir a aldeia nas mudanças, na guerra, devem manter a tradição, determinar as atividades diárias e responsabilizar-se pelo contato com outras aldeias ou com os civilizados. Muitas vezes ele é assessorado por um conselho de homens que o auxiliam em suas decisões.

Alimento - pesca

Além de um conhecimento profundo da vida e dos hábitos dos animais, os índios possuem técnicas que variam de povo para povo. Na pesca, é comum o uso de substâncias vegetais (tingui e timbó, entre outras) que intoxicam e atordoam os peixes, tornando-os presas mais fáceis. Há também armadilhas para pesca, como o pari dos teneteharas - um cesto fundo com uma abertura pela qual o peixe entra atrás da isca, mas não consegue sair. A maioria dos índios no Brasil pratica agricultura.

Quem já não pintou o rosto quando criança, vestiu um cocar improvisado e saiu cantarolando como um índio? Provavelmente todos nós “homens branco” um dia já nos fizemos índios para brincar com os colegas ou mesmo para comemorar o 19 de abril na escola. E lá mesmo, na infância, no período escolar, que passamos a conhecer um pouco sobre esses povos que habitam o Brasil muito antes do homem europeu pisar em terras americanas.

A questão é que os povos indígenas sofreram durante séculos todo tipo de ofensa aos seus costumes, tradições, cultura, além de terem sido escravizados e cultivados a aceitarem o catolicismo como religião. Com isso, até mesmo o que aprendemos na escola, requer cuidado para aceitar algumas informações como reais, como conta o presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Instituto de Desenvolvimento das Tradições Indígenas (Ideti), Siridiwe Xavante.

“A cultura dos povos indígenas normalmente é passada ao homem branco utilizando o pretérito do passado como: os índios cultuavam os deuses, dançavam seus rituais. Isso não é real, os povos indígenas ainda cultuam os deuses e dançam seus rituais. Esse tipo de coisa faz com que as pessoas realmente não tenham a verdadeira noção do que são os povos indígenas, de que existem etnias em sua existência”, explicou.

Segundo o presidente da ONG, em geral, a atual situação dos povos indígenas é boa, os líderes dos povos estão mais preparados para administrar suas aldeias e ainda dar continuidade à cultura. Contudo, existem problemas que ainda assolam os indígenas, como a questão fundiária, a invasão e exploração de recursos naturais das reservas e ainda o desrespeito sobre os direitos dos povos. Para ele, nos últimos dez anos muito se alcançou em termos de melhorias, por conta de ter sido um período em que houve maior organização dos povos para lidar com os temas que normalmente os afligem.

Um dos pontos bastante levantados pelos indígenas é sobre a questão da atuação da Fundação Nacional do Índio (Funai), e mesmo de ONGs pró-índio. O fato é que essas entidades, em alguns casos, tentam impor aos povos indígenas projetos elaborados com uma visão acadêmica/teórica e um tanto particular sobre assuntos pertinentes aos povos. De acordo com o líder karajá, Coxini, nem todos esses projetos representam a necessidade real dos povos. ”É preciso perguntar ao índio o que ele pensa, o que quer ou precisa, ao invés de levar adiante idéias que não tenham representatividade aos povos indígenas”, opinou.

Embora exista divergência de pensamentos, o líder xavante Siridiwe ressalta que a participação da Funai, das Organizações Não-Governamentais e de figuras como Orlando Villas Boas - a quem chama de irmão - em todo o processo de contato com os povos indígenas foi historicamente fundamental para que não acontecessem ainda mais fatos negativos durante os anos de convivência. O administrador regional da Funai de Bauru (SP), Arnor Gomes, completa dizendo que o principal papel da instituição, conforme rege a Constituição brasileira, é garantir o direito de posse aos índios, identificando e demarcando suas terras. Contudo, atualmente a instituição enfrenta dificuldades financeiras, o que prejudica o trabalho da funai.



Meninos e meninas indígenas convivem há mais de 500 anos com o descaso, o preconceito, a violação de direitos e a ausência de políticas públicas

Infelizmente, a violação dos direitos dos índios é comum no Brasil. Os problemas vão do acesso à educação e saúde a questões territoriais e de identidade cultural. Somente no primeiro semestre de 2003, 16 líderes indígenas foram assassinados, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Algumas medidas, como a demarcação de terras indígenas, já avançaram, garantindo a permanência dos índios em suas terras e evitando que eles migrem para as cidades. Mas o simples reconhecimento legal das terras não tem sido suficiente para que esses povos possam exercer e desfrutar de seus direitos básicos.

As crianças e adolescentes indígenas são os mais afetados com essa situação, já que estão mais vulneráveis aos desequilíbrios das condições de vida nas aldeias ou na periferia das cidades. Sofrem com a fome, a desnutrição e doenças como malária e o HIV. Isso ocorre, muitas vezes, por falta de informação dos pais ou pelo convívio nocivo com populações não-indígenas. Esse quadro nega a esses meninos e meninas oportunidades reais para seu desenvolvimento integral.

Dados do descaso

Não há muitas informações concretas sobre a situação da infância e adolescência indígena, o que mostra o descaso dos diversos setores da sociedade brasileira com o assunto. De acordo com o UNICEF e o IBGE, vivem no Brasil 286.686 crianças e adolescentes indígenas. São mais de 225 etnias diferentes. Cerca de 45% desses meninos e meninas estão em situação de pobreza e metade deles não tem acesso à água potável. O índice de crianças e adolescentes indígenas fora da escola também é maior que a média nacional. Cerca de 21% dos meninos e meninas indígenas entre 7 e 14 anos ainda não têm garantia de educação. Na população geral esse número é de 5,5%.

É importante lembrar ainda que as crianças e adolescentes indígenas têm necessidades diferenciadas em relação às demais crianças. Nas comunidades indígenas as crianças e adolescentes são considerados muito importantes, pois são eles que possibilitam a continuidade destes povos. Por isso, falar de meninos e meninas indígenas é falar da garantia de preservação da cultura de seus povos.

O que diz a lei

A Constituição Federal de 1988 definiu que os índios têm direito à educação bilíngüe, assegurando a utilização de suas línguas maternas e respeitando a maneira que cada tribo conduz tradicionalmente os processos de aprendizagem. Contudo, o que se vê ainda é a tentativa de impor a escola "branca" como a única opção para esses povos.

Saúde em risco

As doenças que geralmente afetam o desenvolvimento de crianças indígenas são infecções respiratórias agudas, tuberculoses, diarréias e as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Os altos índices de ocorrências desses males estão ligados ao contato com populações não indígenas.

Dados da Coordenação Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde relatam 53 casos notificados de Aids na população indígena. Destes, 4% atigem índios na faixa etária de 15 a 19 anos. O problema pode ainda não ter chegado de forma maciça aos povos indigenas, mas é preciso prevenir e educar essa população para evitar uma possível epidemia, que pode trazer conseqüências devastadoras.

Alguns avanços, como o controle da malária nas aldeias Yanomami, mostram que é possível reverter os riscos das doenças contando com a ajuda dos próprios índios. Mas a realidade ainda está longe de ser considerada ideal.

É preciso garantir direitos

Defender a infância e adolescência indígena não é uma tarefa fácil. Faltam políticas públicas específicas voltadas para esse público e a sociedade geralmente fecha os olhos para o problema. Os Conselhos Tutelares e Conselhos de Direitos, por exemplo, só agora se deram conta da importância desse trabalho. Em junho, uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) definiu com mais clareza como esses órgãos devem agir em caso de violação de direitos da criança indígena. Fica valendo o que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente, desde que as diferenças socioculturais da comunidade indígena sejam respeitadas.

Políticas de Ações Afirmativas

            O país pioneiro na adoção das políticas sociais denominadas “ações afirmativas” foram, como é sabido, os Estados Unidos da América. Tais políticas foram concebidas inicialmente como mecanismos tendentes a solucionar aquilo que um célebre autor escandinavo qualificou de “o dilema americano”: a marginalização social e econômica do negro na sociedade americana. Posteriormente, elas foram estendidas às mulheres, a outras minorias étnicas e nacionais, aos índios e aos deficientes físicos.

            As ações afirmativas se definem como políticas públicas (e privadas) voltadas à concretização do princípio constitucional da igualdade material e à neutralização dos efeitos da discriminação racial, de gênero, de idade, de origem nacional e de compleição física. Na sua compreensão, a igualdade deixa de ser simplesmente um princípio jurídico a ser respeitado por todos, e passa a ser um objetivo constitucional a ser alcançado pelo Estado e pela sociedade.  

            O Brasil pode ser considerado um país novato na aplicação de políticas de ação afirmativa. Esse é um expediente político-administrativo que busca, por meio de intervenção no mercado ou de incentivos nos setores públicos e privados, atuar sobre a desigualdade social. Mesmo que o debate intelectual sobre o tema tenha surgido nos anos 1970 (e nos  anos seguintes implementaram-se centros e leis nesse sentido, como a Fundação Palmares ou a Lei Caó) a questão só entraria de fato na agenda política com o governo Fernando Henrique Cardoso (1994-2002).

            Foi em 20 de novembro de 1995, por ocasião do quarto centenário da morte de Zumbi, que se instituiu o Grupo de Trabalho Interministerial para a valorização da População Negra. Foi, ainda, em junho de 1996 que o Ministério da Justiça promoveu o seminário Multiculturalismo e Racismo. O papel da “Ação Afirmativa” nos Estados Democráticos Contemporâneos, com intenção de recolher subsídios na organização de políticas públicas para a população negra. No entanto, nessa ocasião, o então presidente Fernando Henrique Cardoso valorizaria uma certa ambigüidade em nossa formação cultural: uma “criatividade para solucionar desigualdades”. Essa ambivalência permearia grande parte da atuação deste governo: embora o Programa Nacional de Direitos Humanos, criado em 1996, previsse políticas compensatórias, até 2001 pouco havia sido feito. Uma certa guinada se deu em setembro de 2001, com a realização da Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância, realizada em Durban, na África do Sul, sob os auspícios da ONU. Afinal, o documento resultante da Conferência recomendava a implementação de ações afirmativas.. Na sequência, e não por acaso, o governo brasileiro definiria um programa de cotas no âmbito de alguns ministérios (Desenvolvimento Agrícola, Reforma Agrícola, Justiça, Relações Exteriores), assim como a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro destinaria 40% das vagas das universidades estaduais para pretos e pardos.

            O governo Lula aderiu ainda mais diretamente a esse tipo de política. O debate não se limitou ao tema da  reforma universitária, como se estendeu à discussão sobre o ensino médio – com a aprovação, em março de 2004, da disciplina “História e Cultura Afro-brasileira e Africana”, ou do formulário enviado pelo MEC às escolas, solicitando a declaração nominal da “cor/raça” dos alunos. Uma secretaria especial foi criada, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPIR), com o objetivo de analisar a situação brasileira e promover políticas de inclusão.


POLÍTICAS DE AÇÕES DO GOVERNO IMPLEMENTADAS PELO GOVERNO FEDERAL
 SAÚDE
 Programa AfroAtitude: programa integrado de Ações Afirmativas para Negros do Ministério da Saúde com universidades que possuem programas de Ações Afirmativas para negros e que adotam o regime de cotas para acesso dessa população.
 EDUCAÇÃO
Programa Pró-Uni: reserva bolsas aos cidadãos portadores de deficiência e aos autodeclarados negros, pardos ou índios.
Programa Uniafro: programa de Ações Afirmativas para a População Negra nas instituições públicas de educação superior o qual contribui para a implementação de políticas de ação afirmativa voltadas para a população negra.
Bolsas-Prêmio de Vocação para a Diplomacia: programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco (Ministério das Relações Exteriores/ Itamaraty) onde oferta bolsas para candidatos afrodescendentes se prepararem para os exames de seleção à carreira diplomática.
 www2.mre.gov.br/irbr/irbr.htm
 TRABALHO E RENDA
Projeto Terra Negra Brasil: Desenvolvido especialmente para promover o acesso à terra a jovens de comunidades negras rurais.



A Fundação Cultural Palmares - FCP é uma entidade pública vinculada ao Ministério da Cultura - Minc, instituída pela Lei Federal nº 7.668, de 22.08.88, tendo o seu Estatuto aprovado pelo Decreto nº 418, de 10.01.92.

MISSÃO



 Promover a preservação, a proteção e a disseminação da cultura negra visando à inclusão e ao desenvolvimento da população negra no Brasil.





REFERÊNCIAS



ALMEIDA, Heloísa Buarque de, SZWAKO,José Eduardo (orgs.)

         Diferenças, igualdade-Coleção Sociedade em foco, 2009

DIMENSTEIN,Gilberto – O cidadão de papel- A infância, a adolescência

        e os Direitos Humanos no Brasil- Editora Ática- 2003




Apostila sociologia 4º unidade

COLÉGIO ESTADUAL THALES DE AZEVEDO
PROFESSORES: TEREZA CRISTINA / IVES
 DISCIPLINA: SOCIOLOGIA     SÉRIE: 1ª

CONEITOS BÁSICOS DE SOCIOLOGIA- IV UNIDADE-2011



Estratificação Social

 Por estratificação social entendemos a distribuição de pessoas e grupos em camadas hierarquicamente superpostas dentro de uma sociedade. Essa distribuição se dá pela posição social dos indivíduos, das atividades que eles exercem e dos papéis que desempenham na estrutura social.

Assim podemos dizer que, em certas sociedades, as pessoas a elas pertencentes estão distribuídas entre as camadas alta  (classe A), média (classe B),ou baixa (classe C), que correspondem a graus diferentes de poder, riqueza e prestígio.

Na sociedade capitalista contemporânea, as posições sociais são determinadas basicamente pela situação dos indivíduos no desempenho de suas atividades produtivas. Dessa forma, os grandes empresários, donos de terras, banqueiros e grandes comerciantes estão no topo da sociedade, por disporem de uma grande quantidade de capital ou de meios de produção.  Eles compõem o grupo popularmente conhecido como ‘os ricos”, ou “a classe rica”. Em contrapartida, os trabalhadores estão na base inferior da sociedade por disporem unicamente de sua força de trabalho, e não de capital ou meios de produção.

 Esses diferentes papéis estão interligados. Entretanto, para efeitos didáticos, vamos começar separá-los e classificá-los.

Principais tipos de estratificação social

Estratificação econômica. Baseia-se na posse de bens materiais, fazendo com que haja pessoas ricas, pobres e em situação intermediária.

Estratificação política. Baseia-se na situação de mando na sociedade (grupos que têm poder e grupos que não têm). Geralmente, as pessoas mais ricas detêm também mais poder.

Estratificação profissional. Baseia-se nos diferentes graus de importância atribuída a cada profissional pela sociedade. Por exemplo, em nossa sociedade valorizamos muito a profissão de médico do que a de pedreiro.

Como já vimos, os aspectos econômico, político e cultural de uma sociedade estão interligados, bem como os vários tipos de estratificação. No entanto, ao longo da História, o aspecto econômico tem sido mais determinante que os outros no processo de estratificação social e na caracterização da sociedade.

Sociedades estratificadas

 Vamos estudar agora as características dos tipos mencionados de sociedades estratificadas, ou seja, aquelas organizadas em castas, em estamentos ou em classes sociais.

 O sistema de Castas

Existem sociedades em que os indivíduos nascem numa camada social mais baixa e podem alcançar, com o decorrer do tempo e como resultado de seu talento, de seus esforços, de seu mérito, ou por outra razão qualquer, uma posição social mais elevada. Esse fenômeno é conhecido como mobilidade social.

Em contrapartida, existem sociedades em que,   mesmo usando toda a sua capacidade e empregando todos os esforços a seu alcance, a pessoa não  consegue chegar a uma posição social mais elevada. Nesses casos, a posição social lhe é atribuída por ocasião do nascimento, independentemente de sua vontade. Assim, ela carregará consigo, pelo resto da vida, esse status social herdado de seus ancestrais.

A sociedade indiana é estratificada dessa maneira há milhares de anos. Ainda hoje, grande parte de sua população está distribuída em um sistema rígido e fechado de estratificação social, que não oferece possibilidades de mobilidade social. É o sistema de castas.

 Enquanto nas sociedades ocidentais pessoas de níveis  sociais diferentes podem se casar – o que não raro possibilita a ascensão social de um dos cônjuges - , em certas regiões da Índia o casamento só é permitido entre pessoas da mesma casta.

  As castas sociais são grupos sociais fechados, cujos integrantes devem se comportar de acordo com normas preestabelecidas de origem religiosa. Um indivíduo nascido em determinada casta  deve permanecer nela por toda a  vida. Sua posição social é definida ao nascer. Além de direitos e deveres específicos, as pessoas de castas consideradas inferiores  não podem  ascender socialmente mediante qualidades pessoais mérito ou realizações profissionais.

A sociedade estamental

 Um exemplo típico de sociedade estratificada em estamentos pode ser encontrado na Europa Ocidental durante a Idade Média (476-1453), sob a vigência do modo de produção feudal.

O estamento ou “estado” é uma camada social semifechada, com características  semelhantes em alguns aspectos à casta. Assim como na sociedade de castas, a posição social da pessoa em uma sociedade estamental lhe é atribuída desde o nascimento. Entretanto, o estamento é mais aberto do que as castas. Na sociedade estamental a mobilidade social é difícil mas não impossível, ao contrário do que ocorre  na sociedade estratificada em  castas.

Na sociedade feudal, a ascensão era possível: 1) nos casos em que a Igreja recrutava seus membros entre os mais pobres; 2) quando os servos eram emancipados por seus senhores; 3) no caso de o rei conferir um título de nobreza a um homem do povo; 4) quando  a filha de um  comerciante se casasse com um nobre, passando a integrar, assim, o estamento  aristocrático (nobreza).

A sociedade de classes

Já vimos como é possível descrever a divisão da sociedade em estratos ou camadas  Agora, vamos conhecer outra abordagem da divisão social, baseada no conceito de classes sociais.

Mas, atenção: estamos acostumados a ver, sobretudo nas pesquisas de mercado, a palavra “classe” como sinônimo de camada ou estrato. Não é disso que se trata. O que estudaremos agora é o conceito de classe social tal como é abordado na literatura sociológica. Desenvolvido pelo pensador alemão Karl Marx, esse conceito parte de premissas próprias, segue critérios específicos e sua aplicação leva a conclusões diferentes das que podem ser encontradas nos estudos que analisam a sociedade segundo o modelo de estratificação social.

Para Marx, a história da humanidade é “a história da luta de classes”. Segundo esse autor, portanto, a classe social é acima de tudo uma categoria histórica. Ao se referir às duas grandes classes do capitalismo – a burguesia e o proletariado -,  está designando duas forças motrizes e concretas do modo de produção capitalista, um sistema econômico historicamente determinado.

Foi o que ocorreu como vimos, com o feudalismo: uma nova classe (a burguesa) derrubou um velho estamento (a nobreza), abrindo caminho para o desenvolvimento das forças produtivas e para a afirmação da sociedade capitalista. A Revolução Francesa de 1789 foi uma das expressões dessa transformação.

Mas a nova sociedade capitalista, na concepção de Marx, já começou dividida em duas grandes classes conflitantes: a burguesia (proprietária dos meios de produção) e o proletariado, ou classe operária, que só tem de seu a força de trabalho.

Um dos grandes pensadores marxistas, Vladimir Ilich Ulianov, mas conhecido como Lenin (1874-1924), definiu o sistema de classes da seguinte forma: As classes são grupos de homens relacionados de tal forma que uns podem apropriar-se do trabalho de outros por ocupar posições diferentes num regime determinado de economia social.

Segundo essa definição, os homens e mulheres que formam as classes sociais se diferenciam entre si pelo lugar que ocupam na produção. Alguns desempenham cargos de direção e são proprietários de fábricas e empresas de todo tipo (meios de produção); outros, apenas executam as tarefas determinadas pelos chefes em troca de um salário: são os trabalhadores. Dessa forma, é a propriedade privada dos meios de produção que constitui a base econômica da divisão de nossa sociedade em classes.

As classes sociais, só existem a partir da relação que estabelecem entre si. Dessa forma, além de antagônicas, elas são necessariamente complementares. A burguesia, por  exemplo não pode existir sem o proletariado. Dessa mesma  forma, no começo da formação do capitalismo, o proletariado precisou da burguesia para obter emprego e se afirmar como classe. Na previsão marxista, porém, essa dependência da classe operária em relação à burguesia acabaria no momento em que o avanço das forças produtivas entrasse em conflito com as relações burguesas de produção. Nesse momento, segundo Marx e Engels, teria de ocorrer uma revolução, por meio da qual a classe trabalhadora se libertaria, destruindo a dominação burguesa e substituindo o modo de produção capitalista pelo modo de produção socialista.       

   Mobilidade social

 Os indivíduos, numa sociedade capitalista aberta, podem chegar  a ocupar diferentes posições sociais – ou  estratos – durante sua existência. Assim, pessoas que integram o estrato de baixa renda (camada C), podem eventualmente ascender ao estrato de renda média (camada B) ou, mais raramente, ao de renda alta (camada A).

Em contrapartida, pessoas da camada A podem ter sua renda diminuída, passando a integrar as  camadas B ou C. Do ponto de vista sociológico, os dois fenômenos são caracterizados como manifestações de mobilidade social.

Mobilidade social é a mudança de posição social, ou seja, de status, de uma pessoa (ou grupo de pessoas) num determinado sistema de estratificação social.

Tipos de mobilidade social

 Quando as mudanças de posição social ocorrem no sentido ascendente ou descendente na hierarquia social, dizemos que a mobilidade social é  vertical. Quando a mudança de uma posição social a outra se opera dentro da mesma chamada social, diz-se que houve uma mobilidade social horizontal.





Mobilidade social vertical pode ser:

o   Ascendente ou de ascensão socialquando a pessoa melhora sua posição no sistema de estratificação social, passando a integrar um grupo em geral economicamente superior ao de seu grupo anterior;

o   Descendente ou de queda social – quando a pessoa piora de posição no sistema de estratificação social, passando a integrar um grupo em geral economicamente inferior.

Mobilidade social horizontal:

 Uma pessoa muda do interior para a capital. No interior, ela defendia ideias políticas conservadoras;  agora, na capital, sob novas influências, passa a defender as idéias de um partido progressista. Seu nível de renda, porém, não se alterou substancialmente. A situação mostra uma pessoa que experimentou alguma mudança de posição social, mas que, apesar disso, permaneceu no mesmo estrato social.

Assim, a mudança de uma posição social dentro da mesma camada social caracteriza-se como mobilidade social horizontal.

Outro exemplo de mobilidade social horizontal pode ser um operário que muda de religião, ou que se casa com uma moça de mesmo nível social, ou, ainda, que muda de partido político.

 A mobilidade social nas democracias

O fenômeno da mobilidade social varia de sociedade para sociedade. Em algumas sociedades ela ocorre mais facilmente; em outras, praticamente inexistente no sentido vertical ascendente. É  mais fácil ascender socialmente nos Estados Unidos por exemplo, do que no interior da Índia, ainda dominado pela estratificação social em castas.

A mobilidade social ascendente é mais frequente numa sociedade democrática aberta, que estimula e enaltece a escalada rumo ao topo de indivíduos de origem humilde – como nos Estados Unidos -, do que numa sociedade de tradição aristocrática, como na Inglaterra. Neste caso, temos duas sociedades democráticas, uma com tradições de sociedade estamental (a Inglaterra), a outra sem essa tradição (os Estados Unidos, país que não conheceu o feudalismo, pois foi formado entre a Idade Moderna e a Idade Contemporânea).

Entretanto vale esclarecer que, mesmo na sociedade capitalista mais aberta, a mobilidade social vertical não ocorre de maneira igual para todos os indivíduos. A  ascensão social depende muito da origem de classe de cada indivíduo, ou mesmo de sua origem étnica. No Brasil, as pessoas pertencentes às camadas sociais mais elevadas têm mais oportunidade e condições de se manter nesse nível, ascender ainda mais e se sair melhor do que os originários das camadas inferiores, sobretudo se são negras.

 Isso pode ser facilmente verificado no caso dos jovens que pretendem fazer o curso superior. Aqueles que, desde o início de sua vida escolar frequentaram boas escolas e, além disso, estudaram em cursinhos preparatórios de boa qualidade, têm mais possibilidades de aprovação nos vestibulares das universidades públicas e privadas do que os jovens provenientes das classes de baixa renda.

MUDANÇA SOCIAL

Entendemos por mudanças sociais as transformações na vida e no funcionamento da sociedade. Como as sociedades estão em constante mutação, nenhuma delas permanece igual a si mesma em dois momentos distintos  de sua história.

Entendendo o conceito



      Tomando como exemplo a abolição da escravatura no Brasil, no dia 13 de maio de 1888. Ela ocorreu como resultado de um movimento, a campanha dos abolicionistas que mobilizou amplos setores da opinião pública brasileira durante quase duas décadas. Uma das mudanças sociais decorrentes desse fato ocorreu nas instituições econômicas. O trabalho, por exemplo, deixou de ser escravo e  passou a ser realizado por pessoas livres, em troca de um salário. Isso provocou transformações em toda estrutura social brasileira.

      Outro exemplo é a questão da reforma agrária, tema sempre presente nas discussões sobre os problemas sociais do campo no Brasil e que, de alguma forma, afeta toda a sociedade brasileira. Ao compararmos o movimento pela abolição da escravatura no Brasil, no final do século XIX, com a atual campanha pela reforma agrária, que já dura mais de quarenta anos, vamos notar algumas semelhanças entre eles.

    Da mesma forma que na época da abolição existiam grupos favoráveis e setores contrários a ela, também hoje há os que são a favor e os que são contra a implantação da reforma agrária no Brasil.

Durante o Segundo reinado no Brasil (1840-1889), os grupos mais conservadores, formados principalmente pelos fazendeiros  e traficantes de escravos, alegavam que a abolição provocaria o caos na economia brasileira, desorganizando a produção agrícola. Muitos deles chegavam ao extremo de querer impor suas ideias pela força das armas.

Atualmente, alegações semelhantes às dos conservadores do tempo do Império são apresentadas pelos grandes proprietários de terras contrários à reforma agrária. Os grupos que lutam pela reforma agrária, da mesma forma que os grandes fazendeiros, têm também seus representantes e defensores no Congresso Nacional.

Esses exemplos mostram que as formas de organização de uma sociedade podem ser substancialmente alteradas por mudanças sociais. A parir dessas mudanças a história das sociedades vai assumindo formas próprias, específicas de cada sociedade.



Mudança social e relações sociais



   As mudanças sociais, como vimos, podem alterar a estrutura social e com ela as relações sociais. As modificações pelas quais passou a família, por exemplo, levaram a uma menor distância social entre pais e filhos. As relações que,  na família patriarcal, supunham uma estrita obediência dos filhos ao pai,  foram hoje substituídas em boa parte por uma relação mais aberta e menos rígida entre os familiares.

Causas da mudança social



As  mudanças sociais podem ser provocadas por forças  endógenas ou exógenas. Nessas duas formas enquadram-se os fatores determinantes: geográficos, econômicos, sociais e culturais que podem ser tanto endógenos quanto exógenos.    



·         Por forças endógenas ou internas – São aqueles que têm sua origem no interior da própria sociedade. Entre essas forças, estudaremos particularmente as invenções.



·         Por forças exógenas ou externas – São as que provêm de outras sociedades, como é o  caso da difusão cultural.



Invenções



      Primeiramente vamos diferenciar invenção de descoberta. Descoberta é a aquisição de um novo conhecimento, de uma informação nova. Invenção é o elemento ativo, é a aplicação da descoberta. Dizemos: descoberta da eletricidade e invenção da lâmpada; descoberta da energia nuclear e invenção da bomba atômica. Assim, a mera descoberta não modifica a cultura ou a sociedade. Isto decorre de sua aplicação isto é, da invenção.

Toda invenção é produto de uma sociedade determinada, embora não seja criação da sociedade em seu conjunto.   Na verdade, a  sociedade fornece as bases, para o surgimento da invenção, pois todo inventor utiliza o conhecimento acumulado de sua cultura. Nenhuma geração parte da estaca zero, mas   de uma herança social transmitida.



Difusão cultural



      Para se modificar, uma sociedade não conta apenas com suas próprias invenções. Se tal fato ocorresse, as mudanças sociais seriam mais lentas.Ao lado das invenções, há uma força externa que, juntamente com os outros fatores, ocasiona mudanças sociais: a difusão cultural. A língua que falamos, a religião que seguimos, muitos utensílios e máquinas que usamos não se formaram nem foram inventados no Brasil. É a difusão que aumenta e expande a cultura das várias sociedades e acelera o ritmo de mudança.

      Como já vimos, é mais fácil substituir (e também difundir) técnicas do que valores, ideias, sistemas religiosos e filosóficos. Estes são impregnados de reações emotivas, de significados simbólicos  difíceis de copiar e de modificar.

      Por outro lado, quando um aspecto cultural de uma sociedade se revela útil e compatível com a cultura de uma outra sociedade, é mais facilmente aceito por esta.  Um novo modelo de vestido ou paletó pode ser adotado com facilidade no Brasil, enquanto uma túnica africana para homens encontrará grande resistência entre nós, pois romperia com hábitos tradicionais no país, moldados pelo colonizador europeu.

      Sendo a mudança social em boa parte conseqüência das invenções, quanto maior for o número destas, tanto mais rápida será a mudança.       A utilização de computadores em quase todos os ramos da atividade econômica tem provocado transformações não só na organização do trabalho mas também nas relações sociais. Assim também, o  telefone celular vem produzindo mudanças nas relações humanas e profissionais, já que quem tem um desses aparelhos pode se comunicar a qualquer momento com outras pessoas, independentemente do lugar em que esteja, o que facilita enormemente o contento social entre os indivíduos.



Fatores contrários e favoráveis á mudança social



     Grande parte das transformações sociais só ocorre depois de vencer muitas resistências e obstáculos.  Foram precisos séculos para que se consolidassem grandes mudanças, como o cristianismo e a democracia. Um exemplo mais próximo de resistência  à mudança é o que ocorreu com o voto feminino, que só foi introduzido depois de muitas lutas. No Brasil, a conquista do direito de voto pelas mulheres em 1932 foi obtida mais por difusão cultural do que por invenção, já que na década de 1930 as mulheres brasileiras não estavam suficientemente organizadas para exigir uma maior participação na vida política. O benefício das campanhas feministas em outros países acabou se estendendo também no Brasil.

Assim, a estrutura social impõe obstáculos e resistências que dificultam a mudança social.



Obstáculos e resistências



Obstáculos são barreiras oriundas da própria estrutura social e que dificultam ou impedem a mudança social. A agricultura brasileira, por exemplo, até a abolição era quase totalmente baseada no trabalho escravo; Um dos obstáculos à libertação dos escravos não estava relacionado a questões éticas ou morais, mas sim às dificuldades encontradas para a   substituição da  mão- de- obra escrava por trabalhadores livres.



Resistências, por sua vez, são reações  conscientes e deliberadas para impedir a mudança social. Assim, no Brasil do século XIX a abolição encontrou grande resistência entre os traficantes de escravos e os grandes proprietários de terras. Esse grupo era consciente de que seus interesses imediatos sairiam prejudicados com a emancipação dos escravos e se organizaram  com o objetivo deliberado de resistir AA medida.

    O exemplo mostra que em toda  estrutura social os grupos ou camadas sociais cujos interesses são diretamente atingidos pela introdução de novos valores são os que resistem mais abertamente às mudanças.



Atitudes individuais e sociais na mudança



     As atitudes individuais e sociais que  favorecem ou rejeitam a  mudança social podem ser classificadas em  quatro tipos principais:



·         Atitude conservadora – É aquela que se mostra contrária às mudanças  ou temerosa em relação a elas. Uma das manifestações dessa atitude é o tradicionalismo, pelo qual o respeito à tradição, a imposição de valores cultivados pelos mais velhos aos mais jovens e as normas tradicionalmente vigentes na sociedade erguem-se como alguns dos obstáculos às inovações na vida social. Tal é a pressão moral exercida pela tradição, que só com grande esforço e enfrentando muita resistência é que a  sociedade consegue fazer adotar  novas formas de conduta estranhas a herança social tradicional.



·         Atitude reacionária – Equivale ao conservadorismo extremado. Opõe-se, não raro pela violência, a qualquer tipo de mudança das instituições sociais e até mesmo à simples introdução de inovações. É a atitude típica de grupos radicais de direita, que deseja que tudo permaneça como  está,  que quer a todo custo manter o status quo (a situação tal como é).



·         Atitude reformista ou progressista – É a que vê com agrado a mudança moderada. Reflete  o desejo de mudanças gradativas dos modos de vida existentes e das instituições. Aqueles que adotam essa posição são geralmente pessoas do centro esquerda ou de esquerda moderada.



·         Atitude revolucionária – É a posição adotada pela esquerda radical. Defende transformações profundas e imediatas das, instituições, até com o emprego de métodos violentos, para mudar a situação social existente.

  Bibliografia:

OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução a                  Sociologia. Ed. Ática, São Paulo 2009.